quarta-feira, 16 de julho de 2014
Cinco Minutos para o Fim do Mundo
domingo, 29 de setembro de 2013
Felicidade Relativa
Marcelo acordou de um sobre salto, estava transtornado, ele bateu a mão no despertador que parou imediatamente de tocar – nossa que pesadelo.
Ele foi a até o banheiro, ligou o chuveiro que soltou a surpreendente água gelada em suas costas, ele sentiu como sua mãe costuma dizer “a espinha congelar”, vestiu seu uniforme e como sempre foi a casa de seu tio que fica parede a parede no mesmo quintal.
- Nossa, que cara péssima, brigou com a Lúcia, foi? – Marcelo nem tinha batido na porta o tio estava fumando na janela da casa.
- Bom dia tio, que nada, tive um pesadelo o senhor sabe que a vida não tá fácil, né?
- Verdade, você acha que resolve aquele problema hoje?
- Tenho fé em Deus que hoje sai o vale! Por falar em problema tio, o senhor pode me emprestar a bicicleta?
- Claro meu filho, já te falei, não tem porque andar sete quilômetros a pé.
Marcelo montou na magrela que era só um pouco mais que ele e começou a pedalar mas antes da segunda pedalada disse:
- Deus abençoa tio!
Quando chegou no mercado Marcelo ainda estava com o pesadelo na cabeça, mas mesmo assim trabalhou com vontade, arrumou as prateleiras de maneira impecável como sempre, mas entre um gota de suor e outra ele sentia aquele calafrio. Na hora do almoço ele fez a ligação de todo dia, porem desta vez fez antes de comer, enquanto comia o ovo da marmita que sempre era o último Marcelo pensou em algo para remediar o gosto ruim, não do ovo e sim do pesadelo.
- Dona Marluce, tudo bem? Posso usar o telefone prometo que é rápido, é que o crédito do meu celular acabou e eu ainda preciso falar com o povo.
- Claro Marcelo – disse a mulher espantada – pode usar sim, você nunca pediu para usar o telefone, tá tudo bem?
- Tá sim só uma noite mau dormida.
A ligação levou apenas alguns segundos, Marluce ouviu Marcelo dizer:
- Muito obrigado mesmo viu do Dona Iara, a noite eu falo com a senhora tá? Deus Abençoa!
O homem agradeceu e ai saindo da sala.
- Marcelo!
- Sim dona Marluce?
- Hoje é dia de vale – Quando o homem se virou já estava na mão da mulher um envelope com o seu nome escrito em caneta azul, desta vez ele não agradeceu, apenas sorriu, pela primeira vez no dia o sorriso dele iluminou o escritório do mercado de tal maneira que as pessoas que estavam no campo de visão dele sorriram também.
- Você vai dobrar a jornada hoje?
- Claro dona Marluce, sempre!
Mais trabalho, mais braço, o caminhão chegou, Marcelo suou, suou como suava todo dia, correu como corria todo dia, mas o pesadelo ainda martelava a sua cabeça.
Quando deu tempo foi tomar um café e fumar um cigarro escondido, fora o pessoal do trabalho ninguém sabia que ele fumava. Ainda tinha que mandar um SMS, usou os últimos centavos do seu crédito. Pronto!
Já tarde da noite Marcelo saiu novamente de casa, de calça branca e camisa salmão, perfumado estava com aspecto melhor, porem seu rosto ainda trazia um pesadelo, ele pegou o ônibus que o levaria para o centro, que sorte o motorista era conhecido da vila, o deixou entrar pela porta de trás.
Quando Lucia saiu do trabalho estava preocupada porque depois da ligação normal de todo dia que recebia do Marcelo ela recebeu um SMS dizendo que ele ia busca-la, isso não era necessariamente raro, mas não de repente assim e com certeza não com a cara que ele estava...
- Amor, tá tudo bem? Só recebi a sua mensagem na minha pausa 10, você sabe que eu não fico com celular, Aconteceu alguma coisa com o Luquinha?
Marcelo sentiu uma alegria muito grande só de ver Lucia, então para tranquilizar a mulher ele fez sinal de negativo e lhe agarrou pela cintura, deu um abraço enorme e em seguida a beijou longamente, mesmo estando ali na frente do emprego da mulher, não ligou para o que as pessoas falaram e até gritaram para o casal de pombinhos. Não tivesse Marcelo pedido a mulher em casamento a três semanas ela acharia que hoje seria o dia.
Depois que o beijo acabou a mulher faz cara de interrogação e Marcelo disse:
- Vamos Jantar – a mulher ficou mais espantada ainda – Já falei com sua mãe, pedi a ela que cuidasse do Luquinha, ajudei ele a fazer a lição, essa noite a gente volta de metrô - a mulher riu meio pra si meio para ele e pensou em voz alta.
- Claro, minha mãe faz tudo que você pede!
Lucia sabia que Marcelo ia lhe falar algo, sabia que não estava em perigo, pois ele não era de fazer suspense, só esperava o memento certo, pegou na mão do seu amado e resolveu aproveitar a lua, ele em retribuição pegou sua mochila o que ajudou a ela a andar menos curvada. Ha quem fique com medo de ver alguém tão magra carregar mochila tão grande e pesada.
- Você vai comer mais uma esfiha?! – Disse Marcelo espantado.
- Claro! Você sabe que eu só tenho vinte minutos de janta! - Marcelo riu para sua namorada, mulher e mãe de seu filho, e na cumplicidade do olhar ela disse.
- Vai Marcelo, fala o que foi? – ele respirou fundo e começou.
- Sabe aquelas paradas que seu irmão...
- Ele tava bêbado - disse baixinho a mulher.
- Eu sei amor, eu sei. Mas foi pesado - a voz do homem ficou mais grave - dizer que eu não tenho nada na vida além do meu braço. Diminuir você e dizer que eu vou me enjoar de minha magrela. Sabe essas coisas bateram forte no meu coração.
A mulher sentiu um arrepio por toda a sua pele e um vento gelar sua espinha. Tudo isso foi para o rosto ossudo de Lúcia.
- Calma amor, não é nada disso, vai ouvindo! – A mulher pareceu se recuperar do mini infarto, e ele continuou – Quando você saiu hoje para faculdade eu voltei a dormir, e tive um puta pesadelo.
- Sonhei que não tinha te conhecido no colégio que, que tinha terminado, tinha ralado e depois eu tinha entrada na faculdade, nesse sonho eu tinha uma carreira, era realizado e ganhava bem, muito bem.
- Como isso pode ser um pesadelo? – Disse mulher com cara de espanto.
- Amor, como eu te disse, não tínhamos nos encontrado no colégio e por isso não tínhamos o Luquinha, e uma vez que você não ficou grávida eu não me meti em confusão e não puxei uma etapa...
A mulher sabia o quanto era difícil para ele falar do período que ele ficou preso e por isso não quis interromper, só continuou escutando.
- Por outro lado este outro eu, no sonho tinha um vida certinha, com dinheiro e sem compromisso nenhum, então um dia ele andava na rua e encontrava você e o Luqinha com outro homem e se lembrava de ser eu! Da vida que tínhamos juntos. Da vida que temos juntos!
- Estou confusa! – disse a mulher, Marcelo se arrumou na cadeira olhou novamente para a mulher e disse:
- Amor esta noite eu sonhei que não te tinha, sonhei que a primeira mulher que eu tive não era mais minha, sonhei que tinha dinheiro e que não tinha mais nada, e cheguei uma conclusão, hoje eu não quero nenhuma outra vida que não seja essa que eu tenho a seu lado! Eu te amo! E vou te amar para sempre!
Lúcia estava chorando e Marcelo a agarrou e lhe deu um beijo que veio com gosto da farinha da esfiha, mas não tinha problema era ela a mulher que ele queria para sempre, era ela a mulher escolhida para mãe do seu filho, era para ela que ele entregava seu vale transporte para chegar a faculdade e em troca ia a pé ou de bicicleta ao trabalho e era ela que ia ficar furiosa com ele por tomar banho gelado, porque no dia do vale ele teve um pesadelo e por isso esqueceu de pagar a conta de luz...
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Depois de muito tempo, ai está um novo texto, ao contrário das outras vezes eu tenho mais, estou escrevendo outros e pretendo coloca-los aqui para breve.
Bem vindos de volta, e para você que está aqui pela primeira vez, seja bem vindo e deixe aqui embaixo a sua opinião.
Força Sempre!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Algoz Vingador
Para ler ouvindo: Titãs - Pra Dizer Adeus
Pé ante pé, ela vai andando, mal da para saber se os tropeços são por conta dos soluços ou justamente ao contrário.
As lágrimas tão numerosas maculam o vestido rosa, este que mal sabe sobre sua condição futura: o mar.
Chorando e cambaleando ela olha a linda lua cheia, em outro dia seria motivo para sorrir, mas não hoje.
A tristeza e tanta que ela não quer nem pensar no motivo, ela quer o mar!
Este, de braços abertos a espera lambendo com suas ondas os tornozelos da moça enquanto ela olha a lua.
E ela continua sua jornada, as lambidas geladas de seu carrasco se tornam mais vigorosas, sobem pelo joelho da garota e deixam um arrepio subir por sua coluna, até a ponta de sua nuca.
Seus cabelo antes lisos, agora ficam cacheados por conta da água, ela sente em sua boca um gosto salgado, ela não sabe se é o mar ou as lágrimas. Esta dupla pode ter sido ainda o motivo da destruição da sua maquiagem.
Não há mais humor, não há mais nada a se prender, ela ergue o queixo e segue firme em seu propósito. Agora seu algoz esta lambendo suas coxas, ele sopra um vento frio que continua mantendo a nuca da jovem arrepiada.
Com um soluço de frio, desespero, mágoa e tristeza ela sente quando o vingador alcança seu sexo. O gelo de suas lambidas e movimentações além de incomoda-la profundamente lhe trás péssimas recordações.
Ela não quer pensar nisso, ela não quer pensar em mais nada, ela só quer o mar. Ele por sua vez aproveita o entreguismo da garota e se apossa de sua cintura.
Neste ponto a garota já esta anestesiada, tanto está, que nem percebe sei algoz tomar seus seios com o vigor de algo que se ela estivesse consciente não gostaria de lembrar.
Ela esboça alguma reação quando ele toma seu pescoço, com uma súbita recuperação de consciência, porém ela não tem mais forças.
O carrasco maldito enviado por Netuno, já tem a moça toda entregue a seus caprichos e começa beija-la na boca, este que deve ser seu último beijo.Ela está entregue e totalmente inconsistente do que pode acontecer no futuro...
O que ele não pode ver é o homem desconhecido arruinar seu terno, seu sapato e arriscar sua integridade, pois ele se lança contra seu algoz vingador e tenta resgatar a moça.
Ela quer ser salva?
sábado, 25 de agosto de 2012
Astronauta Menino!

Eu tinha pouco mais de 10 anos, quando descobri que o homem havia pisado na lua.

quinta-feira, 31 de maio de 2012
URBANA LEGIO OMNIA VINCIT
Não é a toa que nos anos 80 o culto a esta banda era chamado de “religião urbana”, naquele momento era algo grande, mas ainda não dava para se saber o que viria no futuro.
Tive muitos encontros com a legião, lembro que em 1996 eu estava na porta da loja as 8 horas da manhã para compara o álbum “A Tempestade” no dia do seu lançamento, eu não tinha CD Player então comprei um K7 original. Neste mesmo ano após a morte do Renato fizemos uma homenagem a ele no colégio, enfeitamos uma sala inteira com frases e pôsteres da Legião e exibimos clipes e matérias sobre ele.
E assim o tempo passou, eu me sentia distante da Legião, mas sempre vinha uma canção que trazia de volta, me lembro de cantar (!) “Metal Contra as Nuvens” no aniversário de uma ex-namorada, foi desarmincamente divertido...rs. Durante a faculdade quase não ouvi a Legião, as músicas apareciam de vez em quando eu curtia mas deixava de lado.
Quando eu fiz 29 anos a canção “Vinte e Nove” fez tanto sentido foi bem nesta época que minha vida teve uma grande reviravolta, agora sem adoração as canções da Legião me fazem sentir cada vez melhor.
Posto com frequência frases do Renato no face, me identifico com muitas ideias que ele teve, acho divertido ver esses meninos e meninas ouvindo legião como eu escuto Creedance ou Who, bandas que eu nunca vi no palco ou convivi. Adoro as “homenagens”
Ver o Wagner moura com a Legião é divertido, ver um fã se confranternizando com seus ídolos é divertido, no mínimo! Ainda sobre isso vi um amigo dizer o seguinte.”Se tivessem me chamado eu teria ido”, francamente? Eu, mesmo cantando muito pior que o Wagner também toparia.
Em muitas ocasiões as pessoas dizem que eu sou parecido com o Renato Russo, me divirto, mas não me acho.
Ando sempre com fone no ouvido eu vou seguindo o meu caminho pelas ruas de São Paulo, se você me encontrar certamente poderemos trocar algumas ideias sobre a “Via Lactea” ou sobre “Que pais é este”, agora se ambos estivermos atrasados eu posso sempre deixar uma mensagem de:
FORÇA SEMPRE
sábado, 31 de março de 2012
Cerimônia
Para ler ouvindo: Don't Cry - Guns N' Roses
Quando a pesada porta de madeira se fechou, finalmente ela se sentiu segura. Correu o olhar pelo descomunal salão onde todos a olhavam com interesse absolutamente natural, afinal ela é a noiva!
Então a noiva soltou um suspiro meio de tensão, meio de alivio, olhou para o lado e viu aquele que seria em alguns minutos o seu marido. Lindos e felizes olharam para o padre que começou:
- É com grande satisfação que os recebo nesta linda tarde, este belo jovem casal em celebração. A celebração de um grande amor, merece mesmo um dia como este, que o amor de vocês possa florescer como esta tarde primaveril, que vocês possam ser um para o outro como sol e lua que possam se amar cada dia mais e mais!
Depois deste comentário a noiva ouviu um alvoroço, um barulho tomou conta da igreja, mas ela não quis se virar, sentiu um arrepio em sua espinha e tentou se concentrar na cerimônia, mas acabou se lembrando de tudo que acontecera nos últimos dias, sua mente a levou a lugares muito distantes com pessoas que talvez ela não quisesse ver agora. Talvez não, com certeza não seria apropriado...
- Minha filha? - a voz suave do padre rasgava os seus pensamentos a trazendo de volta para a realidade...
- É de sua livre e espontânea vontade que aceita como seu legítimo esposo... - Neste momento ela se vira e olha ao redor, olhar este que causa espanto em quase todos na igreja, ela se vira de costas para o altar, olha demoradamente como que se desculpando com todos, por fim ela encontra o olhar dele, o único em todo o salão que não estava aturdido com o gesto da noiva, um homem alto elegante vestindo um fraque branco, que entregava a noiva um sorriso da mesma cor de sua roupa.
O homem que a pouco causara alvoroço com a sua chegada, agora estendia a mão para linda noiva, neste momento aturdido o noivo tentou dizer algo, mas ao ver sua noiva estendendo a mão para o homem simplesmente deixou o queixo cair.
Ela soltou a mão do homem misterioso caminhou até o centro da igreja, mais uma vez olhando para todos como se contemplasse um futuro que não vai mais existir.
O padre tocou o marido no ombro como que para consola-lo. Sem ação ele estava sem ação ele ficou.
A noiva pensou em uma série de coisas a dizer, mas não disse, ela só teve coragem de olhar no fundo dos olhos de seu noivo e dizer:
- Lamento.
O homem de branco se juntou a noiva no centro da igreja tomou a sua mão e a conduziu pela descomunal porta, quase que imediatamente após os dois saírem foi possível ouvir um cavalo partindo em disparada, para só então a igreja entra em um estado caótico, com senhoras desmaiando, crianças chorando, todos aturdidos, sem saberem
o que fazer.
Ao noivo, sobraram as lágrimas, um par de alianças e a pergunta:
Por quê?
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Don't you cry, don't you ever cry
Don't you cry tonight
Baby, maybe someday
Don't you cry, don't you ever cry
Don't you cry tonight
Então estou de volta! Não sei por quanto tempo, não sei se vai durar, mas quero muito voltar a escrever como antigamente.
Para ler ouvindo: Don't Cry - Guns N' Roses
quinta-feira, 22 de março de 2012
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E assim eu escrevi em 2004...
Olha gente estou me esforçando muito para voltar a escrever, consegui, mas ainda não vou postar pois não quero soltar só um texto e ficar 6 meses sem mais nada, vou tentar colocar algo por aqui ao menos a cada 15 dias (duvido).
O que eu posso dizer é o seguinte, tenho planos de trazer todo mundo de volta:
A Ladra Gizele, o Cavalereiro Azul e estou pensando em uma tal serie Ad Extremum.
terça-feira, 8 de março de 2011
Chá de Lembrança

- Como estão seus pais? – Perguntou para Luzia sua neta.
- Agora o pai acalmou, mas a mãe ainda anda muito nervosa, quando eu sai ela ficou resmungando, não queria que eu viesse.
- Ainda se eu fosse uma sogra ruim! – As duas riram. Luzia tomava um gole de chá e no meio parou quase se engasgando.
- Minha filha calma tem mais chá no bule – disse no tom irônico que a neta tanto gostava de ouvir.
- Não, não é isso vó Tê, quando eu estava saindo minha mãe gritou lá de dentro.
- Pede para ela contar a historia dos três amores pra você!
Dona Teresinha parou de tomar o chá e se aprumou na cadeira. Mulher elegante alta e ainda muito bonita, parecia que se preparava para uma luta, respirou fundo e disse:
- Minha filha, sua mãe me culpa pelo que aconteceu a você, para ela sou má influencia – fez um coque em seus cabelos louros, respirou fundo mais uma vez, como que tomando coragem para pular em uma piscina - Ainda bem que temos tempo!
- Luzia sua mãe diz que somos muito parecidas – a garota olhava para a avó fixamente como que hipnotizada – o que acontece quando todo mundo diz para você, por exemplo, dizer sim?
A garota acordou de um transe e respondeu automaticamente.
- Digo não!
- Pois foi o que eu fiz, disse não a primeira chance de ser feliz em minha vida.
- Sem medo de se arrepender? – perguntou a garota colocando uma almofada em suas costas e mudando de posição na cadeira.
- Ah! Eu me arrependi sim! Liguei para ele, mas pelo tom do alô percebi que as coisas tinham mudado, tudo bem que já tinha se passado quase dois anos. Chorei, mas passou.
E daí em diante minha vida mudou drasticamente, meu pai ficou doente e logo morreu, a situação ficou difícil, minha mãe nunca disse nada, mas eu via nos olhos dela aquela frase:
- Se você estivesse casada tudo isso seria diferente.
- Vó a senhora já trabalhava na lanchonete?
- Não eu trabalhava em um posto de gasolina, usava um shortinho, minha filha! Tinha um corpão esse cabelo aqui era bem mais loiro e vinha até a cintura.
- Eu lembro achei uma foto. Linda vó! Meu pai morreu de vergonha e minha mãe meteu a boca – disse a garota que parecia incomodada com a cadeira.
Teresinha fez um gesto com a cabeça como que dispersando o comentário da mãe de garota e continou.
- Nossa vó! Como a senhora conseguiu manter o emprego? – Luzia se levantou e ficou em pé atrás da cadeira, quando sua avó olhou com cara de interrogação Luzia apontou para suas costas. Teresinha voltou a sua narrativa.
Luzia colocou mais chá em sua xícara e perguntou:
- Por que o segundo amor da sua vida tem a ver com meu pai?
Filha conforme o tempo foi passando eu percebi que Edmilson não trabalhava e que eu o estava sustentando, o chamei para conversarmos, e essa foi a única vez que me lembro de ter conversado com ele. Edmilson não gostou, estava bêbado como sempre, ficou muito violento, tanto que me bateu. Luzia meu pai morreu com oitenta e cinco anos, sem nunca ter me batido uma única vez. Quebrei uma garrafa na cabeça dele e depois disto nunca mais nos vimos ou falamos, soube que ele foi preso pouco depois, mas eu já estava muito, muito ocupada nessa época.
Eu vivia tão bêbada que em menos de três dias estava com um, ou outro, ou os dois ao mesmo tempo, não importava quem. Minha filha não sei como não peguei uma doença.
Teresinha olhava para o longe como se procurasse a resposta em seu passado.
- E meu pai? – Perguntou a garotinha enquanto esticava seus cachos loiros para frente.
Sem se mudar de posição Teresinha continuou:
Eram umas dez da manhã de um domingo, eu estava voltando da balada obviamente bêbada, como sempre, e como sempre achei de vomitar em algum poste, mas desta vez foi muito forte, forte como eu nunca tinha sentido antes. Luzia para evitar detalhes desinteressantes a um café da tarde, estava quase desmaiando quando um homem apareceu e me pagou no colo, ele não disse nada, acordei no hospital com minha mãe desesperada, o médico disse que eu tive muita sorte de não perder o bebê.
- Bebê? – disse quase gritando Luzia – Eu sabia que meu pai não é filho do vô, ate porque ele é moreno e o vô bem clarinho...
- Isso mesmo minha filha, grávida de Edmilson – disse Terezinha interrompendo a menina como que para evitar alguma coisa – um homem sem futuro, este assunto sempre foi tabu, mas, agora que você também está grávida, e sem ter se casado, acho que não precisamos manter nossos tabus.
A garota fez sinal afirmativo com cabeça fez um carinho em sua barriga de sete meses e perguntou:
- Esse homem é o seu terceiro amor?
Sim, mesmo na situação que eu estava o rosto dele ficou gravado na minha mente, perguntei a minha mãe, ela disse que ele morava na nossa rua desde pequeno.
Como eu havia passado os últimos quatro anos bêbada não o tinha visto me olhar com olhares de desejo, esse termo foi o que minha mãe usou.
Eu fui encontrá-lo para agradecer a ajuda, que tragédia, ele disse de imediato:
- Teria feito isto por qualquer outro bêbado!
Luzia eu quase cai, na verdade eu cai, mesmo porque tive um enjôo fortíssimo e vomitei no tapete dele. Já não sabia mais onde colocar a minha cara, me desculpei e quando estava me levando embora ele me chamou para sair, perguntei se ele saia com bêbadas, e ele disse
- Você não via beber comigo. – Essa frase foi tão forte para mim que aceitei.
Saímos, sair de dia era tão estranho, ele me levou a uma fera de animais, fazia tempo que eu não me sentia tão viva. Conversávamos sobre tudo, menos sobre meu passado. No final do passeio já de noite ele me abraçou e estava quase me beijando quando eu parei e disse que estava grávida, ele respondeu.
- Isso não é problema pra mim, é pra você. – Estava selado o meu terceiro amor.
- Qual o nome dele vó? – disse Luzia se sentando de novo.
- Francisco – disse Terezinha automaticamente.
A garota se mexeu para dizer algo mas sua avó a interrompeu.
- Sim foi assim que eu conheci o seu avô. Digo seu avô, pois, foi ele quem criou seu pai, e como nós sabemos que pai, é aquele que cria.
- Nossa vó que historia forte!
- Minha filha – disse Terezinha molhado a boca no chá – essa historia que eu te contei não tem quase nada de romântico, e eu a conto sempre, porque ele tem fatos que vivi, são amores que eu tive e tenho, lembrando estes amores e tragédias eu continuei mais quarenta anos tive mais três filhos e cinco netos. Minha filha eu já errei muito. Mas, nunca cometi o mesmo erro duas vezes.
Luzia se ajeitou na cadeira com uma mão acariciava a barriga e com a outra os cabelos.
- Por que minha mãe não gosta desta historia?
Terezinha que se manteve a conversa inteira na mesmo posição, sentada em sua cadeira achou que era hora de variar, pegou uma torrada e se levantou.
- Bem minha filha, como hoje é dia de quebrar tabus, vou te contar como a sua mãe conheceu meu filho e a família toda...
Não podia teminar este texto sem a referencia musical de sempre.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Changes! (ou não)
Para ler ouvindo: The Who - Baba O'Riley
Agora vem 2010, espero mesmo que seja um ano de novidades, estou projetando várias novidades para a minha vida. Como a Morena vive me dizendo eu sou homem da mudança, isso não preocupa, mas incomoda o fato de não saber para onde a mudança vai me levar.
Bom o primeiro sinal dos tempos é o Twitter, agora eu sou um Twiteiro não tenho todos os seguidores que quero mas amo todos que tenho. http://twitter.com/marciobrigo pode me seguir, em breve vou colocar uns conteúdos interessantes, como diz o Roger, Brigotecnologicos.
Agora mais uma vez uma declaração de amor, o vôo, como isso me fascina, é fantástico observar as revoadas dos pássaros, este pombo quase se chocou comigo, fotografei quase no susto, mas gostei do resultado.
Vou cumprir a promessa do post anterior e colocar uma foto antiga da Mainara, como eu disse ela foi uma das primeiras pessoas que eu fotografei, essa foto foi tirada em um exercício de fotografia na faculdade. Vou prometer para o próximo post uma foto de pássaro que eu tirei no Paraná, na Ilha do Mel.
Tenho alguns convites para o Estúdio Brigo já em Janeiro, vou terminar o trabalho com as fotos da Mainara e talvez em fevereiro eu consiga uma constância de trabalhos.
Você amiga leitora gostaria de aparecer aqui no Estúdio Brigo? Manda email´s para a redação (rs…)
“Márcio Brigo tem 31 anos e quer ser artista.”
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Mainara Piccolo no Estúdio Brigo
Para ler ouvindo: Codinome Beija Flor – Cazuza
Então o tempo está passando a vida vai
levando a gente para cada lugar tão diferente. Domingo passado dia 29 de novembro fiz a minha primeira seção de fotos, foi com a minha amiga Mainara. Engraçado que ela é uma das primeiras pessoas que fotografei na faculdade.
Mas as fotos que você podem ver aqui são apenas uma prévia, vou treinar Photoshop com elas e em fevereiro devemos ter as fotos definitivas.
Para as próximas semanas vou postar a foto que tirei dela no primeiro ano da faculdade com a primeira câmera reflex que eu utilizei.
Estou aceitando sugestões para o Estúdio Brigo.
Mais fotos no Flickr