domingo, 23 de novembro de 2008

Lágrima do Cavaleiro

Recomenda-se a leitura deste e deste texto para uma melhor compreenção da história.

Para ler ouvindo: O som da Chuva

Lágrimas do Cavaleiro antonisp

O dia quente de verão ilumina tudo, torna o céu e o mar um grande painel, calor agradável para um banho de mar que está calmo com suas ondas em movimentos monótonos em direção a praia. Tudo seria muito tranqüilo não fosse por um ponto vermelho boiando no mar, logo vemos, não é apenas um, e sim o começo de uma mancha vermelha que cobre boa parte da praia.

Guerra.
Exércitos se encontram em um confronto sangrento, já estamos em batalha adiantada, toda a estratégia se foi. Toda a inteligência se foi. Agora o sangue escorre misturado ao suor e a água do mar.

Temos dois exércitos, Vamos encontrar os bárbaros que querem apenas tudo dominar e os homens destemidos que pretendem voltar para uma pátria e para suas amadas.

Entre este último grupo encontramos o Cavaleiro Azul. Ele é o seu líder e está preocupado, mesmo com toda estratégia usada no começo da batalha.

A quantidade de inimigos é muito grande, como toda a estratégia se foi, temos (apenas) braço contra braço (corpo a corpo), não há mais cavalos, não há mais lanças, apenas homens se batendo uns contra os outros.

Entre estes homens o Capitão – o segundo em comando - em sua conversa prévia com o Cavaleiro ficou acertado que um sinal tiraria seus homens daquele lugar; O capitão se pergunta como ele fará isso com tantos inimigos ao redor. Na realidade nem mesmo o Cavaleiro sabe como salvar seus homens, ele vai apenas seguir seus instintos.
- Formem um circulo! – Esbravejava o Cavaleiro balançando sobre sua cabeça a Alma do Céu, nome de sua espada, seu extensão como guerreiro.
    - Vocês ouviram o cavaleiro – Apoiou o Capitão, já se colocando no circulo.

Ao contrario do que poderia parecer o Cavaleiro não ficou no circulo e sim dentro dele.

Os inimigos bárbaros estavam cada vez mais violentos. Dentro do circulo o cavaleiro puxava alguns homens, os mais forte. Por um momento o Capitão até pensou que o cavaleiro estava tentando se proteger, mas foi só até ver a movimentação.

O Capitão sentiu um arrepio estranho ao ver o Cavaleiro Azul ser arremessado para fora do circulo como uma bola de canhão, os inimigos são tantos que o cavaleiro sequer cai no chão e já começa a ser atacado, os bárbaros sabiam que ele era o líder, afinal a única armadura azul era a dele.

E aqui começa o futuro, sem usar o cérebro, apenas os músculos o cavaleiro começa a balançar a sua espada e a ceifar vidas e decepar cabaças, a luta é tão violenta que o Cavaleiro anda sobre os corpos dos inimigos.

As chances não mudaram para o Cavaleiro, o exercito inimigo ainda é mais de 30 vezes maior. O Cavaleiro não se recorda de uma luta tão violenta. Eventualmente ele é atingido, mas a armadura consegue segurar os golpes, ao menos até agora.

Um bárbaro arremessa um machado em direção ao Cavaleiro, impacto direto. Neste mesmo momento o Capitão tenta levar os homens em direção ao cavaleiro, mas não consegue são muitos inimigos, parece que saem da terra, alem do mais todos estão molhados, pesados, exaustos.

O machado não derrubou o Cavaleiro, mas tirou seu elmo, o cavaleiro sente o sol em sua barba e como um animal selvagem ferido se lança com mais violência contra o inimigo, mas com menos cuidado também.

As partes da armadura do cavaleiro começam a cair uma a uma, já com o peito nu, ficam a mostra as tatuagens que cobrem quase todo o tronco do cavaleiro, mas estas imagens não ficam a mostrar por muito tempo, pois em poucos segundos seu corpo já está todo coberto se sangue, a maior parte dos inimigos é verdade.

O Cavaleiro Azul é um guerreiro sagrado, um homem de fé, sempre foi. Neste momento ele começa a se questionar se vai mesmo conseguir cumprir a promessa feita ao Capitão.

Uma lágrima escorre do rosto do Cavaleiro, ato que não fica claro, pois mesmo com o dia que se fazia muito claro a praia é invadida de uma chuva torrencial.

A espada está pesando em sua mão o cavaleiro não conseguirá segura-la por muito tempo.

- E agora? - Se pergunta o Cavaleiro.

Como que respondendo a sua pergunta. Do céu um raio acerta em cheio a Alma do Céu, todos os soldados sem exceção são lançados ao chão.

- Retirada – Grita o Capitão, se levantando, afinal não existe sinal mais evidente do que este.

E com este grito, os corajosos correm.

Mas não é simples assim, os bárbaros estão se levantando e vão se reorganizar em segundos. E se não na praia, vão encontrar os homens na floresta ou mais adiante, é apenas uma questão de tempo, fugir apenas retardara um próximo confronto.

O os homens correndo em direção a floresta não conseguem ver a cena mais importante desta batalha.

O Cavaleiro Azul nu, todo coberto de sangue agora só tem os punhos para se defender, vai atacar os homens que ainda estão no chão, mas não, ele não chega a levar adiante sua idéia.

Outro raio, desta vez no peito do Cavaleiro. O Capitão por estar de costas para a praia sente apenas seu corpo ser lançado para frente, e se lembra do que o cavaleiro disse no dia anterior:
“- Aconteça o que acontecer, não parem, estarei com vocês no futuro.”

De costas o capitão houve apenas os gritos e não pode ver o que está acontecendo, ele coordena a retirada, quer tirar o máximo de homens desta praia. O que ele não vê é uma transformação.

Quando o clarão do raio se dissipa podemos ver aquele que antes era o Cavaleiro Azul agora está transformado em um urso enorme, com o pelo azul, como um céu de um dia claro, no entanto as ações do urso são muito mais parecidas com a tempestade que assola a praia neste momento, sangue, sal e areia, por todo lado,

Correndo o Capitão ouve um estranho galope que faz a terra tremer, mas continua seguindo as suas ordens.

Urso Azul um animal irracional com patas que parecem de aço, e pelo muito espesso, não demora colocar tudo isso a prova, os inimigos são arremessados para todos os lados, alguns perdem partes de seu corpo com os movimentos bruscos do Urso. Ele galopa pela praia dizimando os inimigos, espalhando homens, água e areia, nenhuma espada pode feri-lo, nada pode fazê-lo parar, em minutos a batalha está terminada.

Um urro mais forte faz a chuva parar da mesma forma que começou.
Tudo esta de volta a seu lugar?

O Capitão e seus homens já estão bem longe na floresta, o Urso Azul entra na floresta também, mas em outra direção, ele quer apenas descansar.

No acampamento aquela noite o Capitão ouve do soldado que enviou para espionar a práia, que não houve sobreviventes, nas palavras do soldado, fora uma ira divina que assolou a praia.
- Onde estará o Cavaleiro Azul?

O quê o Capitão não sabe é que aquele Urso Azul está se transformando de novo, mas não é no Cavaleiro Azul...

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Termina-se este texto com o som de Matamorfose Ambulante: Raul Seixas.

Mais uma vez eu digo, que este texto tem mais verdade do que parece.

Este é o terceiro “Episódio” de uma série que começou no Três, mas que vive aqui, aliais ele tb está lá

No próximo episódio.

Um menino tatuado, uma Coruja Branca.e um Guerreiro de Fé.

Obrigado a Carol Marzagão pela força e ao Roger que praticamente participou do processo criativo.

Foto: AntonisP

domingo, 31 de agosto de 2008

Jarbas Passarinho na Carta Capital

Para ler ouvindo: Uma música de sua preferência.

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Hoje dia 31 agosto de 2008 coloquei a mão na revista "Carta Capital" com a matéria de nome "Jarbas Passarinho", o que ela tem de importante? É minha primeira foto em uma revista (já comecei bem).

IMG_3939Para quem não sabe, eu faço parte de um projeto chamado Anonimato S\A, onde fotografo matérias e alguns temas solicitados por meu amigo Luiz Alberto de Carvalho, editor do site, o fato é que fomos levados a revsita Carta Capital, por uma matéria que ele escreveu e eu fotografei.

Se vc quer conhecer mais o nosso trabalho clique no aqui ou

Aqui para a materia no site da "Carta Capital" (sem fotos);

Aqui a versão de matéria no site Anonimato S\A (com fotos);

Ou ainda na versão impressa :-)IMG_2567

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Universo dentro de Mim ou Ainda não.

Para ler ouvindo: O som desvairado da cidade.

angustia

Acordei, mas estou tão cansado, tão cansado, parece que tem alguém nos meus ombros. Estou deitado em pé de pijama na plataforma do metrô, com a cara amassada e cansada, estou triste, tão triste, uma tristeza que me abraça como uma mulher que usa um vestido negro, ela passa por mim, olha na minha cara e é atropelada pelo metrô. Participo da dança das cadeiras e me sento. Sento feliz, mas triste. Acontece um barulho, não quero ouvir, vou aumentar o mp3, não posso, dois homens trocam socos, não quero ver, mas não posso evitar, estão se batendo, se xingando, de repente sou eu, eu me bato e me xingo, mas depois não sou eu, eu estou vendo tudo, socos e pontapés, alguns separam outros gritam, outros me batem ou me xingam, acabou um desceu e outro ficou e eu por estar cansado fiquei em pé, nossa que tristeza, a mesma mulher de vestido negro olha por entre minhas pernas, passa a mão por minhas coxas, quer pegar o meu pinto, não vou deixar. Quero que ela vá embora, estou cansado, estou com sono, quero ficar em pé, não quero mais ficar sentado. Ela está olhando para minha cara, me mostra a língua, não quero que ela me olhe. Olho para fora e me vejo correndo com a camisa do pijama e uma gravata de seda, cada um na sua devida posição, me sinto tão sujo, tão triste, parece que estou correndo em um pinico, a mulher de negro me olha nos olhos, sinto um calafrio tão grande que me vejo de novo no metrô, com a calça do pijama e o palitó azul. Mas não importa para onde eu olhe a mulher de vestido preto me olha agora ela quer passar aquela mão gelada e nojenta na minha bunda, não vou deixar. Eu quero que ela morra, mas isso não vai ser possível, eu abro a boca, vou gritar, mas quando faço isso minha boca se enche de água, parece que estou em um lago, só consigo respirar pelo nariz, não tenho mais voz, meu Deus. Uma mulher passa mal e cai sobre mim, eu a amparo, seu calor em mim. Sou eu que estou passando mal, sou eu que estou sendo amparado por outros, estou fora de mim mais uma vez, meu Deus que tristeza, que cansaço, eu não posso mais suportar, não posso mais agüentar, não quero mais isso, não quero mais essa vida, só me resta fazer uma coisa, vou descer na próxima estação. Eu me esquivo de vômitos e excrementos até que porta se abra e eu seja lançado para fora como um cloriforme fecal. Em pé deitado no meio da “rua-estação-qualquer lugar-não importa” tiro a calça do pijama forro o chão e uso a gravata para um curativo dos socos que eu tomei na cara e por fim, choro! Choro minha tristeza, choro minha angustia, choro o sentimento de perda, choro questões mal resolvidas, choro por meus pais e por meus filhos, no meio do meu choro me pergunto, por quê ela fez isso, por quê? Ela deve ter tido lá suas razões. Chorando convulsivamente olho para a mulher de vestido negro que agora está com vestido levantado como que pedindo um coito, jogo minhas lágrimas nela, xingo ela de filha da puta, cuspo em sua cara, quero chuta-la, mas não vou fazer isso, posso precisar de suas gentilezas no futuro, então visto o meu capuz de palhaço, imediatamente fico invisível aos seus olhos, e minha vida pode voltar ao normal.

Ainda não!

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Quem acompanha o meu trabalho desde o começo sabe que eu reneguei este tipo de texto há algum tempo, mas eu precisava soltar isso em palavras. Outra coisa este texto não foi e não será revisado, ao menos desta vez quero que os meus sentimentos passem direto para vocês.

O próximo texto é a esperada continuação do Cavaleiro Azul.

Foto: Samuel Möder

domingo, 10 de agosto de 2008

Sobre irmãos

Para ler ouvindo: U2 - Stay (Faraway, So Close!)

irmaos

Imagine que ser irmão é existir em conjunto. Ser alguém que somente por existir já sente a presença de outro, e tem aquele jeito estranho de gostar.

Como assim?

Lembro-me que uma das descrições de irmandade mais curiosas que eu recebi foi a seguinte:

“Não gosto do meu irmão, não falo com ele a mais de três anos, mas se um dia eu o encontrar na rua apanhando, vou ajudá-lo, posso até não falar com ele, mas vou ajudá-lo” – Estranho? Acho que não o amor de irmão é muito mais que palavras – perceba que não estou dizendo que o depoimento é coerente.

Imagine que um irmão tem o papel de parceiro, ele é o cara que ensina a empinar pipas, que ensina que rodar peão, que ensina como chegar até a pessoa desejada e por vezes amada.

Irmandade é uma ligação infinita que não se rompe com a distância de continentes ou o (sem virgula entre infinita e irmão) arremesso de travesseiros ou roupas sujas.

Mojica Marins (como Zé do Caixão) diz que só o sangue é eterno – bonito isso, ou não? -.

Imagine que na sétima serie eu tinha um amigo que descobriu ter uma meio-irmã por parte de pai. Sabe o quê ele fez? Na primeira oportunidade que teve, “ficou” com ela. Só depois de muito tempo percebi que expressão era aquela nos olhos dos dois, havia um prazer diferente, uma cumplicidade que nunca mais vi no olhar de nenhum outro casal – e olha que eu só fui saber de Calígula alguns anos depois.

Continua no Três

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Prelúdio [C.A.]

Para ler ouvindo: o som do mar.

foto: kindian

Já se vão quase seis anos de campanha, uma campanha sangrenta, felizmente sangrenta para o inimigo.

Um homem de guerra tem notícias a dar a seu comandante. Este homem não é um qualquer, ele é o capitão, um homem cunhado na batalha, um homem criado para servir a sua terra, praticamente uma máquina de matar, mas, hoje seu coração está apertado e seu espírito inquieto.

Por sua vez, o comandante também não é um qualquer. É conhecido apenas com uma alcunha: Cavaleiro Azul.

O capitão se sente seguro ao lado do Cavaleiro, pois, sabe que é um homem honrado. Lembra-se que pouco antes da campanha ter início ele apareceu, alardeou a chegada do inimigo e ajudou na preparação para defesa. Tornou-se o campeão da princesa, com qual se corresponde periodicamente - o capitão sabe disto pois, é ele pessoalmente que entrega a correspondência ao mensageiro.

Já se vão quase dois anos que a espada do Cavaleiro vem guiando os soldados em pleno campo inimigo, cada batalha uma vitória, nem sempre completa, mas sempre em vantagem para eles, os homens que vem seguindo o cavaleiro, ao menos até hoje.

Para dar as notícias o capitão foi encontrar o Cavaleiro em um lugar de meditação, de frente a um precipício que termina no mar, um homem de armadura azul contempla a imensidão azul do mar encontrando o céu.

Antes de dar as notícias, o capitão precisou parar. Precisava respirar, deixar a idéias se assentarem em sua cabeça.

- Percebo preocupação em você capitão - o capitão estava tão longe que quase não ouviu o a voz do Cavaleiro, este tipo de percepção sempre causa arrepios ao capitão.
- Milorde – disse o capitão se aproximando - a equipe de reconhecimento não trouxe boas noticias, a contagem preliminar do inimigo é...
- É maior que o dobro da nossa batalha mais sangrenta - completou o Cavaleiro interrompendo o capitão.

Um silêncio embaraçoso cortou a manhã quente de verão, o capitão perdeu o raciocínio. Parecia que o som do mar lambendo as pedras estava mais alto seus pensamentos voaram e ele acabou por se perguntar porque o cavaleiro não havia tirado sua armadura como todos os outros.

- Capitão conheço-lhe bem. Sei que não estaria com o espírito abalado desta forma se não fosse realmente sério - continuou o homem de armadura – Diga-me, sente saudades de casa?
- Mas é claro milorde, todos sentimos.
- Está na hora de voltar, não está?
- Mas, se voltarmos daqui com todo o efetivo seremos pegos no meio do caminho.
- Sim, mas, se derrotarmos o inimigo ele não conseguirá nos seguir, principalmente quando sairmos de suas terras.
- Derrotar como milorde, se temos quase cem para um?
- Amigo capitão - O Cavaleiro Azul se virou e o homem se surpreendeu mais ainda ao perceber que ele estava de armadura completa e com o elmo abaixado - Alguma vez eu o decepcionei?

Embaraçado o homem respondeu:

- Não milorde.

O Cavaleiro abriu o seu elmo e o homem pode perceber que ele sorria, um sorriso franco de um jovem, embora ninguém soubesse ao certo sua idade. O Cavaleiro tirou de seu elmo um sândalo.

- Amigo entregue isto ao mensageiro, peça a ele que entregue a princesa Suzanna. Ele deve partir ainda hoje.
- Sim milorde, mas alguma mensagem ou carta? - O cavaleiro olhou para o mar mais uma vez, e respirou fundo como se estive sem respirar a dias e respondeu:
- Não. O vento vai dizer lento o que virá.

Mais um silêncio. Parecia que o Cavaleiro Azul estava se despedindo daquele momento. Mais uma vez o som das ondas acariciando o mar se fazia presente.

- Capitão, conversaremos mais tarde para traçar nossa estratégia, mas, lhe adianto que ao final desta batalha você e suas tropas marcharão para casa.
- Nós? E senhor milorde?
- Vocês vão precisar de um sinal avisando a hora da partida. Aconteça o que acontecer, não parem, estarei com vocês no futuro.

O capitão pensou em argumentar, mas era inútil. Não queria esperar queria falar agora com ele sobre a estratégia, queria saber o que ele faria. Desistiu e já ia saindo quando o Cavaleiro o disse:

- É um prazer servir a seu lado capitão.
- Digo o mesmo milorde!
- E capitão, não se preocupe, pois, Deus está do lado de quem vai vencer!

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No próximo episódio:
Corajosos correm.
Sangue, sal e areia.
Um estranho galope faz a terra tremer!

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Este texto tem mais realidade do que parece!

Obrigado a Tatá Bueno pela força na revisão e a Samara por ajudar na escolha da imagem.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Busca

Para ler ouvindo: The Doors - Riders on the Storm


Então, de uma pedra que poderia estar no meio do deserto, mas disto não saberemos, pois não há como saber onde fica o meio do deserto, o homem olha para o céu:

- Meu coração está apertado, quero saber onde está.

O vento envolve o homem o suficiente para tirar seus pés do chão. Ele carrega o homem e sopra a seu coração.

- O que te aflige?
- Eu não encontro - diz o homem em tom de tristeza.

Pobre homem, não sabe procurar – pensa o vento – Vou levá-lo a alguém capaz de abrir teus olhos.

- Pra onde está me levando?
- Vou te levar para o Sol, ele vai abrir as portas de sua percepção – soprou o vento nos ouvidos do homem.
- O que você quer? - disse o sol para o homem.
- Eu não encontro – Ao vento parecia que ele estava mais triste.

O sol e o vento não são bem versados, não tem o traquejo necessário para uma conversa ou orientação, mesmo que o objeto da busca esteja a um palmo, com isso em mente usando a linguagem do mundo, o sol pediu ajuda ao vento e ao deserto.

- Temos que fazê-lo enxergar.

Tão logo essa ordem foi dada o deserto emprestou suas areias ao vento que as espalhou por léguas é léguas de distância, cobrindo todo o deserto do homem, mas para não ficar de fora o sol brilhou ainda mais forte, mostrando toda a sua coroa de rei e iluminando aquela tempestade de areia como um domingo ensolarado.
Depois de muito tempo uma mão erguida significava algo. Os elementos pararam.

- Desisto! - gritou o homem - Não consigo abrir os olhos, como vou encontrar?

Se o sol, o vento e o deserto tivessem rostos seria possível ver neles a decepção.

- Vou levá-lo! – soprou o vento, tão baixo que o homem quase não ouviu.

Quando descia, o homem pode ver surgir no horizonte a gaivota que tanto o ajudou no passado, sabia que ela poderia ajudá-lo, no entanto, ao contrário dos elementos a gaivota não perguntou nada e foi direto ao assunto.

- Já fizemos esta busca juntos tantas vezes, não acredito que você não consegue ver. - Da mesma forma que chegou a gaivota se foi, o homem pode vê-la se transformar em uma gaivota dourada e sumir no horizonte.

Quase no chão, o homem sentiu uma imensa vontade de chorar, não havia encontrado o que procurava e sentia que seus amigos estavam desapontados. Quando esse pensamento lhe dominava, uma força descomunal o sacudiu e o jogou no chão de uma forma que ele a muito não sentia. Percebeu que essa força que o derrubava vinha de dentro do seu ser, parecia que não queria apenas derrubá-lo, mas esmurrá-lo, como um homem pode esmurrar a si mesmo? Foi quando o vento parou de soprar, o deserto ficou no mais absoluto silêncio, até o sol diminuiu sua intensidade para acompanhar com clareza o que aconteceria. O homem ouviu uma voz que parecia vir de todos os seus poros.

- Homem tolo, sou o que você procura, estou em você, não ao redor, pois na verdade sou você e sempre estarei aqui. Sou o seu sonho!

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Foto: Márcio Brigo

O texto faz referencia a "O Alquimista" de Paulo Coelho e a "Fernão Capelo Gaivota" e outras obras de Richard Bach.

Quero agradcer minhas amigas, Irene e Samara, que deram uma força na revisão deste texto.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Encontro

Para Ler ouvindo: Fadas - Luiz Melodia


Lá vai ele pra casa, dia tranqüilo, seu trabalho foi realizado com sucesso. No metrô, sentou-se – play – a música vai fazer o tempo passar mais depressa. Tudo está transcorrendo bem até que na estação seguinte ela apareceu, sua sensação era de que o tempo não existe mais, ele a viu. Linda em seus movimentos, cheiros, mãos e cabelos, tudo isso, seria normal, no entanto ela o estava olhando – estranho – ele está acostumado a olhar, mas está sendo observado, não vulgaridade, mas com ternura. Discretamente ele percebe até um sorriso. Deus como é linda - pensa ele sentindo uma dor estranha no peito, pudera, o espanto foi tamanho que ele se esqueceu de respirar. Ele tem que faz algo, mas o quê?

Pra inicio de conversar pensar já seria bom. Ele saca do celular (coisa de pessoa urbana) pensa homem, ela pode ser a mãe de seus filhos. Já sei!

Ele escreve. “VC E LINDA” – mas que falta de criatividade, não dá tempo de compor uma obra literária completa. Ele estica o braço para garota, com tanto medo de uma negativa que quase fecha os olhos.

Ela sorri, ela está correspondendo. Eles começam uma conversa, trocam nomes e informações sobre si, mas ali tem muita gente o metrô não está lotado, mas há de se conversar baixo em um ambiente destes.

Ele meio ressabiado a convida para tomar um ar na próxima estação, caso ele faça algo errado e receba uma negativa, em um lugar mais amplo isso não seria tão notado. Ela aceita, parece estar gostando de suas idéias e de sua conversa.

Ouvimos o som do aviso que a porta vai se fechar, e quando ela se fechar eles serão felizes para sempre, ou talvez não, mas como todos que freqüentam esse lugar sabem, isso já é uma outra história.

Quando usar o metrô na pise na faixa amarela, ela é a garantia da sua segurança!

Foto: Márcio Brigo

domingo, 19 de agosto de 2007

Cansado

Para ler ouvindo Skank - Indignação


Muita gente quando vê essa imagem aí em cima pensa que é fora do país, muitos pensam que é Paris , outros que é Londres ou até mesmo Buenos Aires, mas não, esta é a catedral da Sé em São Paulo, esta foto foi tirada no dia 17 de agosto deste ano. Nesta data acontecia o movimento Cansei, que é constantemente acusado de ser partidário ao contrário do que ele mesmo alega.

Neste dia, como a maioria dos brasileiros, eu levava a minha vida normalmente, não fui lá para ver o movimento agindo, um compromisso me colocou lá perto, tirei as fotos fui até a porta, vi os cartazes e como todos os outros brasileiros continuei a minha vida.

Eu citei a França a Inglaterra e nossos hermanos, porque nestes paises as pessoas se mobilizam, o tambor que bate no jogo do Boca Juniors vai bater na frente da Casa Rosada, os franceses são o povo com o maior índice de leitura do mundo e os ingleses enxergam em sua rainha um exemplo de prosperidade e honestidade.

No Brasil não faltam tambores, livros ou reis, o que falta é justamente partidarismo, isso mesmo, pessoas que tomam partido, pessoas que tem vergonha de morar em um país com 40% de impostos, onde crianças morrem em assaltos em faroís, onde buracos levam microônibus para terra, e eu nem vou falar dos aviões para não ser repetitivo. E não dá para poupar ninguém, nem mesmo eu, pois depois de tirar estas fotos fui embora e segui a minha vida. Me falta indignação, perece que falta a todos nós. Estou cansado mas não me movo, meu nome é povo.

Por último se TODOS nós fôssemos parte de algum movimento partidário não haveria problema algum uma manifestação patrocinada pelo PSDB ou qualquer outro partido, mas parece que apenas eles se movimentam.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Esperança

Para ler ouvindo tudo!



uma gota solta salgada
escorre sem dó ou piedade
em meu rosto já castigado

um dedo a espalha
e por sua vez mistura
com o sal da minha face

respiro fundo
vou correr
inverdade
não tenho forças

minha esperança reside
na força de um dedo
que espalha lágrimas
e que talvez me faça feliz

Estou começando a mudança prometida á muito para este blog!
Este video-texto é apenas o começo!

Entre os próximos textos estão:
"Teresinha" e "Gizele e Lucas"

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Herói

Para ler ouvindo a música abaixo.



Hoje vou falar de heróis, não os que usam cueca por cima das calças (mesmo porque estes são os “super”).

Mas antes de qualquer coisa a definição segundo o dicionário Silveira Bueno.

Homem extraordinário por suas proezas guerreiras, pelo seu valor ou magnanimidade; protagonista de uma obra literária, ou filme.

Não quero aqui pesar o tema, então vamos focar o cotidiano, ok?

Em uma manhã fria estava no metrô Itaquera, fazendo parte de uma fila de mais ou menos trinta metros, a fila da catraca. Esta fila é muito complicada, pois, os desavisados perdem o lugar e podem ter que voltar lá pra trás. Uma senhora umas vinte cabeças a minha frente encostou o Bilhete Único na catraca e ele não passou. Imagine-se em uma fila, de uns trinta metros cercados por outras filas de trinta metros. Não demora muito para que os trinta metros de fila comecem a ficar impacientes pedindo a mulher para dar passagem. Ela começou a procurar em sua bolsa outro bilhete, deu passagem e umas duas pessoas e depois de encontrar outro bilhete o encostou na catraca. Bilhete Recusado.

Tudo isso não levou vinte segundos, então aconteceu o que liga este fato ao tema. Quando o bilhete foi recusado uma segunda vez a mulher não teve tempo nem mesmo olhar para trás, um dos homens que a mulher havia deixado passar voltou e passou o seu bilhete para ela. Eu fiquei paralisado, uma gentileza desta não é comum nesta cidade desvairada. Fiquei observando queria saber mais, o homem nem olhou para trás, não esperou um obrigado. Eu fui atrás da mulher só para ver se ela era amiga dele, não era. Um homem sem identidade, ajudou uma mulher sem identidade, num dia qualquer, sem pedir qualquer coisa, em troca nem mesmo de um obrigado. Se isso não é símbolo de magnanimidade, eu não sei o que pode ser.

Confesso que fui trabalhar feliz, essa demonstração de solidariedade é a meu ver heroísmo. Por que heroísmo? Alem do fato já mencionado, a magnanimidade, este homem pode ter salvo aquela mulher de uma infinidade de problemas, se ela tivesse que voltar para o fim da fila ou se tivesse que comprar um outro bilhete, ela poderia perder uma consulta no médico, um prêmio por pontualidade entre outras coisas

O que aconteceu com a mulher depois disto não temos como saber, eu fiquei me perguntado, se este homem-heroi é único ou faz parte de uma liga que ajuda senhoras a atravessar as catracas do sistema metropolitano de São Paulo.

Cheguei a conclusão que existe essa Liga da Justiça Social, presente nas pessoas que ajudam cegos e pessoas de idade a atravessar as ruas, ensinam as crianças a não jogar lixo nas ruas entre uma infinidade de ações civis, mas esta Liga como nas historias em quadrinhos é sabotada pelo governo, pois, nem sempre o exemplo vem de cima.

Um salve aos Homens-Heróis.

Terminal

Aqui é o fim da linha, se você não sair agora vai ter que voltar e começar tudo de novo.